Pensemos no princípio primordial do sistema capitalista: a liberdade, que supostamente possibilita ao “indivíduo” o direito de ir e vir. Contudo, como ter tal liberdade de ir e vir se não considerarmos as condições materiais dos sujeitos sócio-históricos?
Os sujeitos não fazem o que querem porque são livres, mas sim fazem o que suas condições materiais lhes possibilitam. Sendo que tais condições não podem ser concebidas como algo dado naturalmente; as condições resultam de um contexto social, histórico e cultural.
A exploração da classe trabalhadora deve ser compreendida no contexto de dominação entre classe dominante (a burguesia) e classe dominada (os trabalhadores) em seu movimento histórico.
Há pessoas que vivem em condições precárias sem a mínima dignidade enquanto há aqueles que desfrutam de uma vida repleta de luxos. Seria isso uma questão de azar ou sorte? Um castigo ou presente da natureza? Falta de empenho ou capacidade de esforço?
Se enxergarmos a realidade a partir destas dicotomias estaremos substituindo a igualdade de direitos sociais pela igualdade de oportunidades, tendo como preceito o mérito do indivíduo e daí a possibilidade de ascensão social. É nesse contexto que a sociedade passa a acreditar e difundir um ideal de meritocracia.
A assimilação e a difusão de preceitos, hábitos e comportamentos só são viáveis através de uma educação do consenso. É a partir deste esforço que a classe dominante, com o interesse de subordinar as classes subalternas aos modos de pensar, agir e sentir capitalistas, passa a atuar diretamente na educação.
Atualmente, verifica-se a hegemonia burguesa no campo educacional através dos empresários. O empresariado exerce sua influência tanto no âmbito estatal – reafirmando seus interesses em diversas esferas das políticas públicas (dentre elas a educação) – assim como na sociedade civil – colocando em prática os projetos educativos voltados a formar um novo tipo de homem, isto é, um cidadão-trabalhador com perfil flexível que ao invés de reivindicar direitos, atua na sociedade fazendo mudanças pontuais. Mudanças pontuais que não alteram a realidade a longo prazo e que enfraquece a luta de classe.
Caros leitores e colegas, fiquemos atentos aos interesses da classe dominante, em especial os empresários, ao atuar no campo educacional: formar uma consciência passiva para atenuar os conflitos.
É a busca de uma conquista de corações e mentes!
Seremos seres humanos capazes de refletir criticamente? Ou apenas marionetes nas mãos dos dominantes?
Somos não só sujeitos pensantes, como também sujeitos capazes de mudar e transformar a realidade. Afinal, o que seria da história se não fosse o movimento e a contradição?
Camila Azevedo Souza