“Saudações a todos. Nasce o Estandarte do Povo - movimento político e cultural - que tem o intuito de fazer reverberar a voz de qualquer um que se proponha a propagar conhecimentos livres e libertadores. A intenção é trazer a todos, importantes contribuições que têm se perdido no tempo. Venha conosco, leia e contribua para que o Estandarte possa de fato alcançar sua meta. Deixe o Estandarte do Povo passar!”

Ricardo Maciel, Robson Rocha e Wadson Xavier.

Contribuições pelo E-mail: estandartedopovo@hotmail.com

Deixa o estandarte do povo passar
eu quero ver esta gente cantar
cantando a plenos pulmões
a alegria dos corações
que ainda precisam
do samba pra chorar

Canta, minha gente canta
Deixa o estandarte passar
que o carnaval da gente
ele veio inaugurar

Eu vou cantar com empolgação
na avenida encontrei a redenção
Vou seguir os passos do poeta,
agora é a vez da nossa festa!

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sábado, 6 de outubro de 2012

Amanhã, vote consciente.


O Estandarte do povo acredita que mudanças as mudanças sociais se dão, em um estado democrático, por meio da representação política em sua forma mais direta possível.

Acreditamos também, que o atual estado de alienação popular, no que diz respeito à representação democrática – fruto de inegáveis fatores históricos do nosso povo – pode e deve ser transformado paulatinamente em conscientização política.

Para isso, cabe àqueles que têm – a qualquer nível – uma opinião a respeito do “tema político” manifestar-se, sobremaneira, em época eleitoral, momento decisivo para os cidadãos escolherem aqueles, entre os seus, que irão representá-los durante um mandato de 4 anos.

Em nossa visão, o período eleitoral representa, para além de um grande circo midiático que é montado, a escolha de concidadãos que irão fiscalizar, discutir, elaborar, aprovar ou vetar normas visando atender ao interesse público daqueles que os delegarão tão nobre função: a de portar a voz do povo.

Porém, sabemos o que realmente se passa em grande parte – devido, justamente, a falta de consciência, participação e cobrança popular – uma verdadeira competição entre facções para a defesa de seus interesses privados.

Nada melhor para definir a situação da política brasileira, do que as palavras ainda vivas de Oliveira Vianna (1949):

“Clã feudal e clã parental, já o vimos, eram, desde o primeiro século, puras organizações rurais votadas ambas à defesa pessoal dos seus membros, exclusivamente consagradas a este objetivo privado. Ora, esta motivação privatista passou a ser a força íntima inspiradora dos nossos "clãs eleitorais", como dos nossos "partidos políticos", provinciais ou nacionais. Estes ficaram sendo, assim, simples organizações de interesse privado com funções no campo político. E, até agora, nunca puderam libertar-se -- mesmo os grandes partidos nacionais – desta eiva trazida pela sua composição basilar. (...)

Nossa vida administrativa e nossa atividade idealista e política é -- nas suas expressões mais altas -- um pura criação pessoal e exclusiva de alguns homens independentemente de qualquer sugestão vinda do povo. O que se tem feito de grande neste sentido é sempre o produto de individualidades marcantes e superiores – e não de estrutura culturológica de massa, da capacidade política da população em geral.”

Desta maneira, acreditamos que cabe ao “candidato” e ao “eleitor” expressar suas intenções e anseios de maneira sincera, transparente e compromissada como o nosso espaço comum – a cidade.

VOTE CONSCIENTE!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Estandarte do Povo nas Ruas

Foto da atividade do Comitê Dilma.
Calçadão da Rua Halfeld, 23 de outubro de 2010.
Contribuição de Raquel Fracette

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Estandarte sobre a entrevista da a economista portuguesa Maria da Conceição Tavares

“Lula é um gênio do povo”

Estandarte do Povo disse: O seu comentário está aguardando moderação.
Belíssima entrevista dessa mulher que se mostrou coerente e esclarecedora, é de pessoas assim que precisamos para conscientizar o povo brasileiro do engodo chamado PSDB-DEM e da mídia que lhes serve. Ama o Brasil não por ter aqui nascido, mas por ver neste país um futuro brilhante, uma nação em construção que aos poucos se liberta das amarras coloniais e não mais se submete as “metrópoles” do capitalismo neoliberal. Parabéns!

domingo, 24 de outubro de 2010

O Globo reconhece PIG

Reportagem divulgada no Jornal "O Globo" mostra (enfim) coerência e reconhece a existência do PIG, da qual o próprio jornal faz parte, confiram:

 

Revista pode ser o último obstáculo para vitória de Dilma

Plantão | Publicada em 22/10/2010 às 21h07m
Reuters/Brasil Online

Por Stuart Grudgings 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Já se tornou um ritual nas manhãs de sábado durante a atual corrida presidencial -funcionários dos partidos e jornalistas correm às bancas para verem se, desta vez, a edição da revista Veja derruba a candidata Dilma Rousseff (PT).
Com sua capacidade para fazer ataques, a revista mais lida do Brasil -que já divulgou dois escândalos de corrupção que afetaram Dilma- parece ser o último grande trunfo da oposição, numa disputa em que a candidata governista chega à penúltima semana ampliando sua vantagem na dianteira das pesquisas.
Alguns analistas políticos descrevem a corrida em termos de quantas capas da Veja faltam para a eleição: duas.
A incansável campanha da publicação contra Dilma é um sinal daquilo que alguns dizem ser uma profunda tendência da mídia brasileira contra o PT e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro presidente brasileiro egresso da classe operária.
O esquerdista Lula tem a aprovação de 80 por cento dos brasileiros e é muito elogiado no exterior pela trajetória que fez o ex-operário virar um presidente que tirou milhões de pessoas da miséria. Mas isso não impede que sua relação com a imprensa brasileira esteja desgastada.
"Há uma revista cujo nome eu não lembro. Ela destila ódio e mentiras," disse Lula em setembro num comício, em um dos seus muitos ataques à imprensa durante esta campanha, em que ele acusa alguns veículos de comunicação de agirem como partidos políticos.
Membros do PT admitem que a irritação de Lula com a imprensa pode ser contraproducente, e que talvez tenha até custado votos a Dilma no primeiro turno. Mas as pesquisas ainda a apontam como favorita no segundo turno, no dia 31, depois da aparente perda de fôlego na recuperação da candidatura de José Serra (PSDB).
Embora a Veja tenha uma orientação clara, suas reportagens têm se provado corretas, e resultaram na demissão de Erenice Guerra, ex-braço-direito de Dilma, do Ministério da Casa Civil após denúncia de envolvimento num suposto esquema de corrupção.
Os grandes grupos da imprensa dizem que as críticas de Lula têm ido longe demais e citam seu direito constitucional à liberdade de imprensa. A antiga desconfiança da grande imprensa de que o PT gostaria de restringir a liberdade de imprensa foi alimentada, no começo da campanha, quando um documento do partido -depois retirado às pressas- sugeria propostas por um maior controle sobre a mídia.
"Acho que essa tensão entre mídia e poder é normal -basta ver o presidente (dos EUA, Barack) Obama e a Fox News," disse Ricardo Pedreira, presidente da Associação Nacional de Jornais. 

HISTÓRICO DE DESEQUILÍBRIO 

Ainda assim, alguns creem haver provas concretas para justificar a irritação de Lula, e consideram que a postura negativa da imprensa pode ser um problema também para Dilma, caso eleita.
"É inquestionável," disse James Green, professor de assuntos latino-americanos na Universidade Brown, dos EUA, que vem acompanhando a campanha. "Sempre que um evento ocorrer ele será distorcido de um modo claramente destinado a favorecer a candidatura Serra e a diminuir a candidatura Dilma."
Segundo ele, o paralelo entre Obama e o canal Fox News não se sustenta, porque no Brasil, ao contrário do que ocorre nos EUA, não há grandes jornais ou redes de televisão com posições de esquerda, que poderiam equilibrar a cobertura.
Lula, com sua origem humide do Nordeste, é sistematicamente retratado como "ignorante, analfabeto, rude e preguiçoso," disse Bernardo Kucinski, professor de Jornalismo e ex-assessor de comunicação do governo Lula no primeiro mandato.
"Ultimamente, os jornalistas reconheceram sua habilidade política e abandonaram os termos mais insultantes, mas continuam a retratá-lo como um homem não-educado e, portanto, despreparado para a Presidência."
Kucinski disse que Dilma, por ser oriunda da classe média, será poupada de tais ataques pessoais, mas não de uma cobertura ideologicamente tendenciosa. "A meta da elite é impedir outros oito anos 'deste tipo de governo,'" afirmou.
Lula se queixa de que "nove ou dez famílias" controlam a mídia brasileira.
Num dos casos mais famosos de comportamento ideológico da mídia, a TV Globo, em 1989, editou o debate de Lula contra seu então adversário Fernando Collor de modo a ressaltar os maus momentos do petista, que acabou derrotado naquela eleição presidencial, a primeira após a redemocratização do país.
Hoje em dia, a Globo faz uma cobertura mais neutra, mas muitos acharam que os apresentadores do Jornal Nacional a trataram de forma mais agressiva do que aos demais candidatos numa série de entrevistas feita em agosto, o que também provocou uma reação de Lula. O jornal O Globo, pertencente ao mesmo grupo, também tem um claro viés anti-Dilma.

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/10/22/revista-pode-ser-ultimo-obstaculo-para-vitoria-de-dilma-922850755.asp

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Serra e Pastor Malafaia: o cúmulo do absurdo!

Vocês viram a campanha eleitoral deste Domingo, 18 de outubro?
O mais novo cabo eleitoral de José Serra (PSDB), o renomado pastor Silas Malafia (o mais comercial e enganador do momento), anganriando votos de seu rebanho evangélico. 
É a mais descarada forma de alienação política já vista nestas eleições, a qual compactua o nobre partido do candidato "Zé do povo Serra" .
Enquanto uma grande parte de eleitores Católicos bombardeiam a Candidata Dilma (PT), por simplesmente não seguir os ritos da Igreja Católica, o Zé Serrinha se junta ao o que há de pior na Igreja Neopetencostal. O braço mais comercial e alienado dos Protestantes!
Isso a mídia e os católicos não comentam, não enxergam e não querem saber.
É a velha forma de divisão pré-ditadura: "A Marcha da Família com Deus pela Liberdade" contra "Os Comunistas Comedores de Criancinhas".
Isso é a mais grotesca forma de se arrancar votos de um massa de eleitores que, como ovelhas em um rebanho, seguem seu Pastor para onde ele bem entender.
Vejam com seus próprios olhos o maravilhoso site comercial religioso que apoia a candidatura do "Zé do Povo":

O Brasil é um Estado Laico, vamos valorizar o pensamento político ao invés da alienação religiosa!
Para os Cristãos desavisados: Daí, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus, já dizia Jesus

domingo, 17 de outubro de 2010

Estandarte sobre entrevista de Maria Rita Kehl à Carta Capital

http://www.cartacapital.com.br/politica/a-campanha-eleitoral-assumiu-um-tom-fascitoide-diz-maria-rita-kehl/comment-page-6#comment-21460

Estandarte do Povo disse:

Como disse Maria Rita Kehl a grande imprensa está na mão do PSDB paulista, pois é em SP que se concentra toda grande mídia de direita que ajuda a deturpar o cenário político com reportagens claramente partidárias, e quando uma jornalista competente decide falar a verdade, é sumariamente demitida, como aconteceu neste caso.
Retrocesso maior ainda será este tal de Zé “do povo” Serra ganhar a eleição. Ele é tão sincero e comprometido com a população pobre do Brasil que manda eleitora favelada mandar-lhe um FAX e faz propaganda eleitoral gravando em favela de plástico, no estúdio, simulando a pobreza no Brasil. Que segundo ele não deve existir, já que se deu ao trabalho de criar uma!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Para você, que não votou na Dilma


Por Leonardo de Souza * – Você não votou na Dilma no primeiro turno. Também não pretende votar nela no segundo turno. Não apenas você não vai votar nela, como você tem alertado sobre os perigos de se votar na candidata petista. Você tem suas razões para achar que o voto em Dilma não é o melhor para o Brasil.

Eu não penso como você. Entendo que o melhor voto para o Brasil é o voto em Dilma Roussef, e não em José Serra.
A principal razão que, no meu ponto de vista, justifica o voto em Dilma não é uma única razão. Na verdade, são 53 milhões de razões: entre 2003 e 2008, foram 21 milhões de brasileiros que deixaram a miséria e outros 32 milhões que ascenderam à classe média. Os números dos que chegaram à classe média correspondem mais ou menos ao total de torcedores do Flamengo, e os que saíram da pobreza correspondem aproximadamente à torcida do Corinthians. É isso mesmo: o número de brasileiros que melhoraram de vida na Era Lula é um pouco menor que a soma das torcidas do Flamengo e do Corinthians. A pobreza extrema no país foi reduzida à metade nos anos Lula. Esse salto não se deveu apenas ao bom momento econômico. Isso é fruto de medidas específicas do Governo Federal, tais como o Bolsa Família e o Bolsa Escola.

Você chama esses programas de assistencialistas, de demagogia paternalista. Na sua concepção liberal de “Estado mínimo”, esses programas não têm justificativa. Mas os países socialmente mais justos foram aqueles em que o Estado assumiu um papel ativo na promoção do bem estar social. Você condena os programas brasileiros, mas, quando vem à Europa, se embasbaca dizendo que a Suécia ou a Dinamarca é que são países “de verdade”, pois se importam com seus cidadãos. Os programas sociais brasileiros são irrisórios se comparados aos de países da Europa ocidental. Por que você etiqueta os programas assistencialistas suecos de “justos” e os brasileiros de “demagógicos”? O número de programas de suporte social de um país como a França é muito superior ao do Brasil. Para você ter uma ideia, aqui eu recebo uma ajuda de moradia, fornecida pelo governo francês a todo estudante que paga aluguel, seja ele francês ou não. Isso custa uma grana preta aos cofres franceses. Certa vez, comentei com um colega no trabalho que recebia essa ajuda. Nunca vou me esquecer do que ele falou: “Puxa, nem sabia que isso existia aqui na França. Sou classe média, não preciso desse auxílio, mas fico feliz de saber que os impostos que eu pago servem para ajudar estudantes como você”. Isso é civismo. É impensável ouvir isso da classe média brasileira, notória pelo seu acivismo. O que se ouve deles é que “a classe média é explorada”.

Você deveria é ficar feliz de saber que parte de seus impostos são destinados a ajudar os brasileiros que podem menos. Votar em Dilma é votar na continuidade desses programas. É a garantia de que mais compatriotas irão melhorar de vida. Ou você acha que vai manter esses programas um cara cujo vice propôs punir quem dá esmolas e que chamou o Pronasci de “bolsa-bandido”? Um cara cuja esposa chamou o Bolsa Família de “bolsa vagabundagem”? Você acha que esse senhor tem capacidade de diálogo com os mais desprovidos? Um cara que diz não entender os sotaques de goianos, mineiros e pernambucanos? Um cara que, como bem observou Idelber Avelar, inventou a favela de plástico? Um cara que diz para uma eleitora na favela, “Não posso conversar agora. A senhora não poderia me mandar um fax?”? Esse senhor não demonstra ter canais de comunicação com os pobres. Serra diz que vai manter os programas sociais. Só que eu não confio no que Serra diz. Aliás, não confio sequer no compromisso que ele assume por escrito em cartório.

Foi sob o Governo Lula que a economia brasileira conheceu um período de crescimento expressivo, inclusive durante a crise mundial. Conheço seu argumento: “Lula continuou o que FHC fez”. Só que o próprio FHC reconheceu recentemente que a gestão econômica do PT tem méritos próprios. Insistir na tese de que tudo de bom da economia brasileira não tem sequer uma contribuição da equipe econômica de Lula, mas apenas de FHC e do Plano Real, tem tanto sentido quanto dizer que a pujança da indústria automobilística brasileira nos dias atuais é mérito de apenas um homem: JK.

Não foi apenas no plano econômico que a gestão Lula foi primorosa. Há que se destacar a revitalização do sistema universitário público. Comparar a gestão Lula com Paulo Renato é como comparar o Barcelona ao Madureira. Foi nos anos FHC que o ensino superior privado conheceu fulgurante expansão – na maior parte das vezes, sem a contrapartida da qualidade –, rifando vagas universitárias a megagrupos empresariais. Ao mesmo tempo, as universidades federais entraram em processo de sucateamento: Paulo Renato cortou verbas, restringiu concursos para professores e funcionários, priorizou a expansão do ensino privado, não promoveu uma política de assistência estudantil. Fiz o curso médico na UFMG durante os anos FHC. O descaso governamental provocava greves recorrentes (a de 1998 foi marcante) e provocou inclusive o fechamento do Hospital das Clínicas da UFMG, p elo simples motivo de que a verba federal não era repassada: centenas e centenas de alunos, além de milhares de pacientes carentes, sofreram com o fechamento do hospital. Hoje, o campus da UFMG tem outra cara: prédios novos e modernos foram inaugurados (Economia, Farmácia, Odontologia, Engenharia).

A Cynthia Semíramis concorda comigo. Lula investiu no ensino superior: criou 14 universidades federais e outras dezenas e dezenas de escolas técnicas, muitas delas em regiões menos desenvolvidas do país. Foi a política de Lula que permitiu a criação, por exemplo, do Instituto de Neurociências de Natal, que já está aí, repatriando pesquisadores e fazendo pesquisa em alto nível. Cargos docentes foram criados e a carreira universitária foi valorizada, em flagrante contraste com a ativa promoção da penúria que marcou a gestão Paulo Renato. Tudo isso propiciou que os mestres e doutores formados no Brasil ocupassem cargos na universidade brasileira, evitando o brain drain que por tantos anos sangrou a academia brasileira.

O salto na pesquisa brasileira desde a eleição de Lula é bastante expressivo. Em 2003, os investimentos em ciência e tecnologia foram de 21,4 bilhões de reais; em 2008, já atingiam R$ 43,1 bilhões. Paralelamente, houve notável aumento da produtividade científica brasileira: as publicações em peer-review journals saltaram de 14.237 em 2003 para 30.415 em 2008. Subimos da 17ª posição no ranking da SCImago, em 2000, para a 14ª, em 2008. Passamos países com maior tradição de pesquisa, como a Suíça e a Rússia. A política de pesquisa do Governo Lula foi elogiada inclusive pela Nature, uma das revistas científicas mais importantes do mundo (aí, Tio Rei, coloque mais essa na lista do jornalismo chapa-branca). Eu não voto em José Serra porque não quero que a universidade e a pesquisa brasileiras sejam sucateadas novamente. Não merecemos outro Paulo Renato.

Você diz que o governo do PT é anti-democrático, que ele coíbe a liberdade de expressão e que ele ameaça a liberdade de imprensa. Você acha que o PSDB representa uma proposta democrática. Discordo nos dois pontos. Houve declarações atrapalhadas do governo no que diz respeito à imprensa, e não aprovo a atitude de Lula no episódio Larry Rother. Mas daí a dizer que governo do PT é anti-democrático e que cerceia a liberdade de imprensa vai uma distância muito grande. Nem mesmo FHC sustenta que o Lula é stalinista – só aloprados como Olavão e o Tio Rei é que alimentam besteiras assim. Se, como você diz, o PT censura a imprensa a seu favor e coloca um monte de jornalista chapa-branca nas redações de todo o país, olha, então o PT tem que aprimorar seu s métodos. Dê uma olhada nas últimas capas da revista semanal de maior circulação do país, ligue a TV no principal canal, ou visite um dos blogs políticos mais acessados e veja (ops!) se há algum indício de que o PT tolhe quem fala mal dele e quem aponta as lambanças do partido. Aí você diz que, no governo Lula, tentou-se criar o Conselho Nacional de Jornalismo e que isso era uma tentativa ditatorial de controlar a liberdade de imprensa. Se isso é ditadura, sua lista de governos anti-democráticos deve incluir também países em que o Conselho já existe, como a França e a Inglaterra, como bem lembra Jânio de Freitas. Você critica a TV Brasil, dizendo que o governo não tem que manter canal de TV. Diga isso a um francês. Ele vai lhe dizer que na França não existe um canal de TV na cional que seja público. Existem cinco.

Eu também li o editorial do Estadão, dizendo que Dilma é “o mal a evitar”, por representar uma ameaça à democracia e à liberdade de imprensa. Você achou bonita essa defesa do “Estado de Direito”, né? Por que o Estadão nunca fez um editorial como esse quando o Brasil efetivamente vivia sob uma ditadura, nos anos de chumbo? Por que, dias depois desse editorial, esse mesmo órgão que se põe como baluarte da democracia plural demitiu sumariamente uma colunista que apoiou o Bolsa Família?
E será que o PSDB é tão comprometido assim com a democracia constitucional e com a liberdade de expressão? E os arapongas da Abin na gestão FHC? De qual partido é Eduardo Azeredo, que propôs uma lei de controle da internet que é carinhosamente chamada de AI-5 digital? De qual partido é Yeda Crusius, que mobilizou a PM gaúcha para espionar uma deputada de oposição, inclusive suas crianças (via Idelber)? De qual partido é Beto Richa, que censurou sete pesquisas eleitorais, um blog e até um twitter? E o que dizer do Serra, que telefonou a Gilmar Mendes para que ele tomasse a decisão que o PSDB preferia, no que diz respeito aos documentos necessários à votação? Isso é respeito às instituições democráticas?
Você reprova a política externa do Lula, dizendo que ele desonra a democracia brasileira, privilegiando o diálogo com regimes fechados e ditatoriais. Então me responda: onde estava sua indignação quando FHC condecorou o ditador peruano Alberto Fujimori com a Ordem do Cruzeiro do Sul?

Você vê com maus olhos as alianças políticas do governo Lula e acha que isso é um argumento forte para não votar no PT. Eu também não gosto do Sarney, do Collor, do Calheiros, do Temer, do Hélio Costa. Preferiria que eles estivessem longe do poder. Mas já passamos da idade de acreditar em purismo ideológico, né? Isso é coisa de adolescente que descobre a política. Fazer política é fazer alianças, muitas das quais difíceis de serem engulidas. Vai me dizer que você gostava de ver o sociólogo da Sorbonne de mãos dadas com o PFL de ACM e cia.? Você gostava de ver o Renan Calheiros como Ministro da Justiça do FHC? Talvez você nem sequer goste do Índio da Costa… Bem vindo à real politik, mon ami.

E sim, você vai me falar da corrupção na gestão petista. É verdade. No que diz respeito ao combate à corrupção o governo Lula não foi virtuoso – longe disso. Houve mesmo bastante corrupção. O mensalão existiu, não foi invenção. Mas, será que a oposição é impoluta e pode mesmo posar de moralmente superiora? Lembra-se do Mensalão Mineiro e do Azeredo? Do Ricardo Sérgio de Oliveira, caixa do alto tucanato, que levou R$ 15 milhões na privatização da Vale? Dos R$ 400.000 a cada deputado que votou a favor da reeleição? E o esquema de corrupção e espionagem, revelado no escândalo dos grampos durante a privatização da Telebrás, envolvendo FHC, o presidente do BNDES (André Lara Resende) e Luiz Carlos Mendonça de Barros (ministro das Comunicações)? E a farra do Proer? E o favorecimento ilícito da Raytheon na instalação do SIVAM ? E a endinheirada relação entre Chico Lopes (ex-presidente do BC) e o banqueiro Salvatore Cacciola? E Eduardo Jorge, assessor pessoal de FHC envolvido em diversas negociatas, inclusive em “caixa dois” para a reeleição de FHC? Por favor, não me venha com essa conversa de que o PSDB não compactua com a corrupção.

Eu vou concordar com você que o Brasil precisa de investimento em infra-estrutura: portos, rodovias, aeroportos. Mas será que o governo que impôs à população brasileira o racionamento de energia é mesmo o mais preparado para conduzir esses avanços em infra-estrutura? Acho que não.

Mas talvez nenhuma dessas questões sobre economia, educação e gestão pública importem para você. Talvez o que mais lhe opõe à candidatura de Dilma Roussef sejam questões religiosas. Pode ser, por exemplo, que você se oponha à política petista em defesa dos direitos civis dos homossexuais. Você chama isso de “tentativa de implantação de uma ditadura gay no Brasil”. É engraçado ouvir que existe ditadura gay no Brasil das mulheres-fruta, das dançarinas de axé, da erotização infantil, das peladonas do carnaval, das bancas em que pululam revistas masculinas de orientação heterossexual. Fique tranqüilo, essas coisas vão continuar acontecendo e ninguém está propondo instituir o monopólio da G Magazine entre as revistas de entretenimento adulto (fugiremos juntos do Brasil quando isso acontecer, ok?). Estamos falando em este nder a uma pequena parcela da população os direitos civis desfrutados pela maioria. Nenhum governo do mundo tem poder para forçar alguém a assumir determinada sexualidade, porque os determinismos neurobiológicos da sexualidade passam ao largo da legislação dos homens – do contrário, eu acharia que os labradores machos lá do sítio da minha família só montam um no outro porque o governo PT apóia a causa homossexual (e eu desconfio que meus labradores não entendem muito bem o que seja o PL 122). A questão aqui é apenas garantir que a expressão de determinado comportamento sexual não seja discriminada. Isso não é forçar a população a ser homossexual, nem calar heterossexuais. O prefeito de Paris é gay, assim como o de Berlim e a Primeira Ministra da Islândia. Eu, heterossexual, não sofro por morar em uma cidade governada por um gay.

Aproveitando o tema, permita-me uma pergunta: o que aconteceria se, ao invés de se mobilizarem maciçamente contra o “casamento gay”, os evangélicos se movessem por coisas que importam, como metrôs, ensino público, bons hospitais e punição a corruptos? Por essas e outras, é que indicadores como mortes violentas, saneamento básico e crianças nas escolas são bem melhores em Paris do que em São Gonçalo, cidade do Brasil com maior concentração de evangélicos. A luta contra a miséria e os embates por educação, transporte e hospitais de qualidade não parecem sensibilizar evangélicos – mas se dois marmajos querem juntar escovas de dentes no mesmo copo do banheiro, aí eles entram na briga, né? Essa miopia política acívica atrasa o país. O Brasil se ria bem melhor para todos se os evangélicos batalhassem politicamente por coisas que realmente importam – e isso certamente não inclui ajustar o mundo aos estritos códigos comportamentais que defendem.
Há o aborto também. Você está certo: a Dilma é a favor do direito ao aborto (este vídeo é como batom na cueca, não tem o que discutir). Mas preste atenção: estamos tratando de uma eleição presidencial, não de um plebiscito sobre o aborto. E você sabe: o presidente não tem poder para assinar um papel e legalizar o aborto por conta própria, sem aprovação do Congresso, como se estivesse assinando uma ordem para comprar canetas Bic para escolas públicas. A discussão e a legislação sobre aborto são matéria do Congresso, não do presidente. Não misture as coisas. Não entre na onda dos que estão transformando essa eleição em um plebiscito.

O Brasil melhorou muito sob a égide de Lula. A imprensa mundial, dos veículos mais à esquerda aos mais à direita (tá aqui o Figaro que não me deixa mentir), saúda os avanços na Era Lula. Você dirá, com razão, que toda unanimidade é burra. Sim, é verdade. Mas isso não significa que toda forma de discordância é inteligente. Não é inteligente negar que, nos anos Lula, o Brasil se tornou um país socialmente mais justo e menos desigual. Isso é negar os fatos. E negar os fatos nunca é inteligente.
Você pode até não votar na Dilma, por razões várias. Eu, de minha parte, prefiro apoiar quem tem feito do Brasil um lugar melhor para o maior número possível dos filhos deste solo: os brasileiros.

* Leonardo de Souza é médico formado pela UFMG. Especialista em Neurologia, trabalha desde 2005 no Centro de Doenças Cognitivo-Comportamentais do Hospital da Pitié-Salpétriêre, em Paris. É doutorando em neurociências na Université Paris VI. Este texto foi publicado inicialmente em seu blog: aterceiramargemdosena.opsblog.org.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Eleições 2010

Trago aqui dois textos sobre os destaques do nosso processo eleitoral atual, a repercussão internacional e o caso tiririca, para podermos nos informar melhor. Tirem suas conclusões e comentem. Não menos importante: sugiram e colaborem!

Abraços.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

No segundo turno das eleições... - Ricardo Maciel

No segundo turno das eleições...

Definitivamente a mídia resolveu mostra-se novamente. Nunca foi sonsa, mas esteve mais tranqüila por um tempo. Com a proximidade das eleições, no entanto, pareceu que queria acordar e provar que tem poder sobre os resultados das urnas. Agora no segundo turno confirmou todas as suspeitas. Os meios de comunicação tradicionais (TV, radio, jornais e revistas), representados por empresas como O Globo, editora Abril, jornais de São Paulo em geral e outros têm movido uma intensa campanha eleitoral por meio das noticias que exibem e da programação que promovem. Manchetes tendenciosas sempre desfavoráveis ao governo têm pipocado nas paginas e na tela. Parecem querer reviver suas glorias alienantes. Vamos nos lembrar de Collor de Melo e da cobertura que estes veículos deram à sua campanha e a forma como manipularam as informações, ou alguém se esqueceu da edição do debate promovido pela TV Globo. Vamos voltar ainda mais. Qualquer brasileiro que puder se desprender do imediatismo da vida e olhar um pouquinho para o passado saberá de que lado esses grupos estavam no nosso sangrento período de ditadura militar (hoje levantam a bandeira da democracia?!?!). Essas empresas visam unicamente seu próprio poder e o dos grupos que as sustentam (quem teve a oportunidade de ler obras como 1964 do uruguaio Dreifuss sabe das atividades do capital privado no período referido). A intenção aqui não é defender nenhum candidato apenas mostrar o grande paradoxo que há entre a forma como esses veículos dão as notícias e os valores que recorrentemente reclamam como imparcialidade, veracidade e democracia. Enquanto exibem suas noticias de forma nevoenta, consumindo pesquisas como loucos, os temas importantes, aquilo que é de fato relevante, permanece sem ser dito. Esses grupos que tanto clamam por bandeiras admiráveis como a liberdade de expressão, não estão sendo tão libertários nas informações que divulgam. Isso para não falar na qualidade deplorável da programação que engendram a trazem até o público. Esta difícil se informar sem se irritar, mas a história embora se assemelhe não se repete, esse nítido desespero é fruto de quem sente o poder de antes escorrer pelas mãos. Vamos ficar atentos.

Ricardo Maciel