Ricardo Maciel, Robson Rocha e Wadson Xavier. Contribuições pelo E-mail: estandartedopovo@hotmail.com | Deixa o estandarte do povo passar eu quero ver esta gente cantar cantando a plenos pulmões a alegria dos corações que ainda precisam do samba pra chorar Canta, minha gente canta Eu vou cantar com empolgação |
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sexta-feira, 8 de julho de 2011
Ode aos herdeiros políticos
ODE AOS HERDEIROS POLÍTICOS. GANHAM AOS CATORZE ANOS A PRIMEIRA GRAVATA, COM AS CORES DO PARTIDO QUE MELHOR OS ILUDE. AOS QUINZE, SEGUEM A CARAVANA. APLAUDEM CONFORME O CENHO DAS CHEFIAS. SÃO OS CHAMADOS ANOS DE FORMAÇÃO. AÍ APRENDEM A COMPOR O GESTO, A INTERPRETAR HUMORES, A MENTIR HONESTAMENTE. APRENDEM A LEVEZA DAS PALAVRAS, A ESCOLHER O VINHO, A ESPUMAR DE SORRISO NOS DENTES. APRENDEM O SIM E O NÃO MAIS OPORTUNOS. AOS VINTE ANOS, JÁ CONHECEM PELO CHEIRO O CARISMA DE UNS, A MENOS-VALIA DE OUTROS, ENQUANTO PROSSEGUEM VAGOS ESTUDOS DE DIREITO OU ECONOMIA. ESTÃO DE OLHO NOS PRIMEIROS CARGOS; É PRECISO MINAR, DESMINAR, INTRIGAR, REUNIR. SÓ OS PIORES CONSEGUEM ULTRAPASSAR ESSA FASE. HÁ ENTÃO OS QUE VÃO PARA OS MUNICÍPIOS, OS QUE PREFEREM OS ORGANISMOS PÚBLICOS. TUDO DEPENDE DE UM GOLPE DE VISTA OU DOS PATROCÍNIOS À DISPOSIÇÃO. É BEM O MOMENTO DE INTEGRAR AS LISTAS DE ELEGÍVEIS, PONDO SEMPRE A BAIXEZA ACIMA DE TUDO. A PARTIR DO PARLAMENTO, TUDO PODE ACONTECER: DIRETOR DE EMPRESA PÚBLICA, COORDENADOR DE CAMPANHA, ASSESSOR DE MINISTRO, MINISTRO, DIRETOR EXECUTIVO, PRESIDENTE DA CAIXA, EMBAIXADOR NA PQP!... MAIS À FRENTE, PARA COROAR A CARREIRA, O GOLDEN-SHARE DE UMA CADEIRA AO PÔR-DO-SOL. NO FINAL, PARA OS MAIS OBSTINADOS, PODE HAVER NOME DE RUA (COM OU SEM ESTÁTUAS), FLORES DE PANEGÍRICO, FANFARRAS E... FORMOL!
terça-feira, 28 de setembro de 2010
O chão da minha cidade
O chão da minha cidade
Quantos anos já pisei
O chão da minha cidade
Quantos marcas já deixei
Sempre na mesma posição
De quem eu esperaria
Que a mesma retidão
No chão encontraria
Da cabeça do homem
Surgem possibilidades
De inclinar o chão
Na busca da verdade
Mas quem pisa não pensa
Com o mesmo padrão
De quantos passos daria
Para desnivelar o chão
Assim pisantes andam
Sem nada se preocupar
Do porquê naquele chão
Estariam a andar
Mas daí mora o perigo
Onde o pensamento ecoa
Que naquela via pública
Não se anda por à toa
Será que perduraria
A displicência social
Se todos pensassem que
No chão se pisa igual?
Passos longos eu daria
Pr’algum destino chegar
Mas cada homem, cada via
E o chão a nos levar
Agora já compreendo
Tamanha variedade
Asfalto uns vão varrendo
Outros predizem verdades
Os que varrem tem tarefa
Dão a terra dignidade
Mal sabem os andantes
Dos que limpam a cidade
Planejadores de idéias
Contentes ao marchar
Ignorando o trabalho
Dos que estão a assear
Assim a ignorância
Empurra o caminhar
Que não olha os que limpam
Nem os que estão a andar
O chão não tem palavras
Nem orientação
Mas pisado pede ao homem
Um pouco mais de noção
Quantos anos levariam
Para a simples conclusão
De que todos foram feitos
Para igual pisar o chão
O solo ainda não pede
Tão pouco tem razão
Não impede nem incentiva
Encolhimento ou expansão
Cabe a nós pensar
Qual seria a direção
Que o homem almejaria
Caso não pisasse em vão.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Sonhei com Gente - Ricardo Maciel
(dedicado aos amigos que tem acompanhado o Estandarte)
Sonhei com gente
que carregava
burros nas costas.
Os seres humanos
faziam às vezes
dos animais de carga.
E arfavam desesperadamente
carregando
os imensos jumentos.
Em outro canto,
um banquete.
Ébrios brindavam no salão,
um especialmente
apontava sedutoramente
a estátua do Deus Baco,
que convidada com razão:
“Você quer ficar conosco”.
Contudo, vi,
no plano abaixo dele,
os olhos horríveis
de seu pai,
que estático
devorava os corpos
daqueles que o filho atrai.
Continuei a vagar
entre sonhos.
Não se pode
escolher sonhar.
Passeava num morro
vestido de Diabo.
Provém ser caçador
para não ser caçado.
No topo vi a cena
Do colosso que se erguia
O comboio rumo à guerra
acordou o gigante
que dormia.
Pôs-se de pé em fúria,
E o povo embaixo:
“Há de nos esmagar
Com uma só pisada”.
De pés tão rudes e grandes
fugiu até o Diabo.
Penetrei então
um salão da inquisição.
Padres ajoelhados
solenemente rezavam.
A dor do cristo ardente
carregavam nas faces.
E na confissão dos penitentes
arrancavam o mal
daqueles inocentes.
Me esgueirei pelos cantos
Satanás não é bem-vindo.
Quando saia ainda vi
A fogueira queimando gentes.
Vagava triste Diabo
perdido nas visões
de cenas amargas
que revelam
as humanas ilusões.
Mas ainda um pensamento
estava por principiar,
vi a última imagem
já perto de acordar:
Na entrada da cidade
subia com felicidade
um cortejo de folia popular.
Cantando e dançando carregavam
o Estandarte que vinha a passar.
Ricardo Maciel
Sonhei com gente
que carregava
burros nas costas.
Os seres humanos
faziam às vezes
dos animais de carga.
E arfavam desesperadamente
carregando
os imensos jumentos.
Em outro canto,
um banquete.
Ébrios brindavam no salão,
um especialmente
apontava sedutoramente
a estátua do Deus Baco,
que convidada com razão:
“Você quer ficar conosco”.
Contudo, vi,
no plano abaixo dele,
os olhos horríveis
de seu pai,
que estático
devorava os corpos
daqueles que o filho atrai.
Continuei a vagar
entre sonhos.
Não se pode
escolher sonhar.
Passeava num morro
vestido de Diabo.
Provém ser caçador
para não ser caçado.
No topo vi a cena
Do colosso que se erguia
O comboio rumo à guerra
acordou o gigante
que dormia.
Pôs-se de pé em fúria,
E o povo embaixo:
“Há de nos esmagar
Com uma só pisada”.
De pés tão rudes e grandes
fugiu até o Diabo.
Penetrei então
um salão da inquisição.
Padres ajoelhados
solenemente rezavam.
A dor do cristo ardente
carregavam nas faces.
E na confissão dos penitentes
arrancavam o mal
daqueles inocentes.
Me esgueirei pelos cantos
Satanás não é bem-vindo.
Quando saia ainda vi
A fogueira queimando gentes.
Vagava triste Diabo
perdido nas visões
de cenas amargas
que revelam
as humanas ilusões.
Mas ainda um pensamento
estava por principiar,
vi a última imagem
já perto de acordar:
Na entrada da cidade
subia com felicidade
um cortejo de folia popular.
Cantando e dançando carregavam
o Estandarte que vinha a passar.
Ricardo Maciel
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A primavera volta cantando - Ricardo Maciel
A primavera volta cantando
Planando sobre os vales
Abraçando as cidades
Deitando-se nas serras.
Na primavera volto cantando
E no jorrar da vida matinal
No sul da esfera astral
Vou fecundando tuas terras.
Num grande abraço profundo,
sinto a força da terra que brota,
desde a era mais remota,
em tempos de origem do mundo.
Olho para a vastidão dos campos
E os montes no poente longínquo
Enxergo os abismos profundos
Vejo os mares verdes dos oceanos .
Vamos montados em leões
Até os desertos distantes
E correndo no lombo das feras
lembrar que viemos de outras eras.
Quando lá tivermos chegado
Juntos vamos beber
A água que corre nos rios
Os leões eu e você.
Ricardo Maciel
Planando sobre os vales
Abraçando as cidades
Deitando-se nas serras.
Na primavera volto cantando
E no jorrar da vida matinal
No sul da esfera astral
Vou fecundando tuas terras.
Num grande abraço profundo,
sinto a força da terra que brota,
desde a era mais remota,
em tempos de origem do mundo.
Olho para a vastidão dos campos
E os montes no poente longínquo
Enxergo os abismos profundos
Vejo os mares verdes dos oceanos .
Vamos montados em leões
Até os desertos distantes
E correndo no lombo das feras
lembrar que viemos de outras eras.
Quando lá tivermos chegado
Juntos vamos beber
A água que corre nos rios
Os leões eu e você.
Ricardo Maciel
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Casa Real - Ricardo Maciel
Fui ao baile da casa real
para sentar à mesa com pompa.
Do cortês fidalgo leal
fui convidado de honra.
Gente tão nobre habitava
as terras distantes que andei,
no reino flores se espalhavam
para honra-las me curvei.
Fui tratado com brio
reverenciado como amigo,
admirado como filho,
amado como irmão.
A mais sincera atenção
recebi de toda gente.
Será que foi uma ilusão?
E todos aqui mentem.
Calei meu pensamento,
já chegava ao castelo
Para o meu encantamento
era belo, vivo e modesto.
Danças executadas com graça
enfeitavam o salão que entrei.
O nobre contente bradou ao povo:
Meu filho voltou para ser rei.
Ricardo Maciel
para sentar à mesa com pompa.
Do cortês fidalgo leal
fui convidado de honra.
Gente tão nobre habitava
as terras distantes que andei,
no reino flores se espalhavam
para honra-las me curvei.
Fui tratado com brio
reverenciado como amigo,
admirado como filho,
amado como irmão.
A mais sincera atenção
recebi de toda gente.
Será que foi uma ilusão?
E todos aqui mentem.
Calei meu pensamento,
já chegava ao castelo
Para o meu encantamento
era belo, vivo e modesto.
Danças executadas com graça
enfeitavam o salão que entrei.
O nobre contente bradou ao povo:
Meu filho voltou para ser rei.
Ricardo Maciel
domingo, 19 de setembro de 2010
Genealogia - Ricardo Maciel
Vinhos, oliveiras, marfim
Casarões do Brasil antigo
Mandioca, macaxeira ou aipim.
Canela, cravos da índia,
Lemes, homens ao mar
Horizontes do atlântico
Velas para navegar e rezar
Os céus, os sons, a terra
O universo tropical
filho pródigo de seus país
Tupi, África, Portugal!
Ricardo Maciel
Alzaste - Pablo Nuevo
O "Estandarte" pelo mundo.
Alzas un tenue vuelo
rodeado de hojas y polvo,
sin frío en los huesos ni negras pasiones.
Alzas la vista,
alto en el cielo ves tu blanca sombra
cercada de sueños e ilusiones.
Alzas tus manos
esperando otras que las reciba
entre calidos y viejos algodones.
Alzas tu sonrisa
dibujada en tu sano faz de nácar,
llena de prisa, libre de temores.
Alzas inocentes cabellos
para que bailen entre hojas y polvo,
para que vuelen vacíos de agrios dones.
Alzas nuevas huellas
en este extraño mundo
velado por una alfombra de mil colores.
Te alzas orgulloso
en el comienzo de un largo camino,
dejando tras tus pisadas
fugaces y únicos rumores.
Pablo Nuevo - Ciudad Real (Espanha)
Alzas un tenue vuelo
rodeado de hojas y polvo,
sin frío en los huesos ni negras pasiones.
Alzas la vista,
alto en el cielo ves tu blanca sombra
cercada de sueños e ilusiones.
Alzas tus manos
esperando otras que las reciba
entre calidos y viejos algodones.
Alzas tu sonrisa
dibujada en tu sano faz de nácar,
llena de prisa, libre de temores.
Alzas inocentes cabellos
para que bailen entre hojas y polvo,
para que vuelen vacíos de agrios dones.
Alzas nuevas huellas
en este extraño mundo
velado por una alfombra de mil colores.
Te alzas orgulloso
en el comienzo de un largo camino,
dejando tras tus pisadas
fugaces y únicos rumores.
Pablo Nuevo - Ciudad Real (Espanha)
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Alma de pactário Robson Rocha
(Uma homenagem ao Urutu Branco de Guimaraes Rosa)
Alma de pactário
Eis-me aqui, o pactário,
o homem criado,
o filho do cão!
Meu problema é mais profundo
minha alma mais do mundo,
minha tez mais condenada,
meu olhar mais inconcluso.
Mas o caminho de meus passos
é trilha com direção
Porque me dôo em meu futuro
com o sacrifício de meu túmulo
vivendo do que é justo
em justa destinação!
Sei que os passos do perdido
assustam aos que são bons.
Mas a bondade daqueles muitos
é trajeto sem direção.
Veredas muito corretas
completíssimas em precisão
Circuitos muito plausíveis
Certeza invera
Inverdade certa:
existência em vão!
Robson Rocha
Alma de pactário
Eis-me aqui, o pactário,
o homem criado,
o filho do cão!
Meu problema é mais profundo
minha alma mais do mundo,
minha tez mais condenada,
meu olhar mais inconcluso.
Mas o caminho de meus passos
é trilha com direção
Porque me dôo em meu futuro
com o sacrifício de meu túmulo
vivendo do que é justo
em justa destinação!
Sei que os passos do perdido
assustam aos que são bons.
Mas a bondade daqueles muitos
é trajeto sem direção.
Veredas muito corretas
completíssimas em precisão
Circuitos muito plausíveis
Certeza invera
Inverdade certa:
existência em vão!
Robson Rocha
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